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Autor Tópico: Touradas  (Lida 8460 vezes)
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aqf
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« em: 13 de Agosto de 2013, 23:14 »


Gostava de saber a vossa opinião, e fundamentada, porque não é nenhum poll. Depois exponho a minha
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coelho_buda
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chaos ab ordo, ordo ad chaos


« Responder #1 em: 14 de Agosto de 2013, 07:42 »


Acho que por aqui consegue ficar com uma ideia da opinião de cada um. Caso a minha não tenha ficado explicitada, sou contra as touradas e acho que deveriam ser proibidas enquanto espetáculo degradante e bárbaro, sádico e completamente desnecessário.
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cave et aude
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bobbyboy
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« Responder #2 em: 14 de Agosto de 2013, 14:55 »


É das coisas que mais me faz doer, sempre que vou ao estrangeiro e o assunto vem à baila, ver o desprezo com que nos olha o mundo por esta "coisa" que nem sequer um adjectivo merece. Como muitas outras coisas em Portugal, às vezes é difícil uma pessoa perceber em que século é que está.
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Benjamin Franklin
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« Responder #3 em: 15 de Agosto de 2013, 22:02 »


Entristece-me constatar que há seres humanos meus contemporâneos que achem que torturar um animal pode ser considerado um evento cultural agradável. É sádico e manifesta um desprezo pela vida animal horrível. É tão bárbaro que nem considero que seja um assunto assim tão discutível quanto isso. Acabe-se com este mau hábito e arranjem-se outros, mais saudáveis. Note-se que ainda vi algumas em pequeno, mas assim que tive real consciência do que se passa na arena, sinto uma enorme repulsa por tudo aquilo.
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mb
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« Responder #4 em: 17 de Agosto de 2013, 23:08 »


Vivo em Vila Franca, onde a tradição é muito forte. Nunca gostei nem concordei, mas a verdade é que pode não ser fácil resistir a uma certa pressão social que existe - sobretudo durante a adolescência. Afinal, a vila rege-se muito pelo calendário dos touros e das esperas, sendo que as principais festas têm todas a ver com touros - quem não gosta ou levanta a voz contra é visto como um outsider.

Sinto que a tradição na vila está a perder apoiantes, embora o núcleo duro se esteja a solidificar - menos apoiantes mas mais hard-core (análise puramente subjectiva e não co-substanciada). Parece-me notar menos jovens envolvidos com os touros, mas posso ser simplesmente eu que me dou menos com os jovens Sorriso grande.

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António Chagas
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« Responder #5 em: 19 de Agosto de 2013, 11:32 »


É difícil para alguém que nasceu e cresceu numa sociedade urbana compreender a profundidade de certos rituais, sendo que a origem de muitos se localiza em passados já tão longínquos que, na realidade, já não nos dizem nada. No entanto, quando coexistem defensores e apoiantes desses rituais, porque coexistem percepções diferentes da cultura, há sempre incompreensões. Compreendo os argumentos a favor e contra as touradas, mas assusto-me com a energia que é gasta a defender uns e outros; fico sempre com a ideia de que são guerras perdidas à partida.
O argumento mais defendido pelas pessoas anti-tourada - a crueldade "gratuita" exercida sobre os animais - empalidece quando a maior parte dessas pessoas não hesita em comer um bom bife, ou umas boas febras de porco, sem pensar que os animais criados industrialmente e mortos em matadouros sofrerão (partindo do princípio, por alguns também discutido, que sofrerão) provavelmente mais durante toda a sua vida e na sua morte do que os touros de lide. Por outro lado, o argumento mais defendido pelas pessoas a favor da tourada - a questão da tradição, e da cultura - perde o sentido quando pensamos em tantas coisas que eram tradicionais e que hoje foram ultrapassadas: a escravatura ou a negação de direitos às minorias, para apenas referir duas.
Defendo um compromisso: defendo que haja uma renovação da festa brava; que se privilegie o toureio anti-crueldade (as pegas, a utilização de ferros não invasivos, a eliminação do toureio de morte) em detrimento do toureio tradicional; que haja um diálogo entre os defensores e os detractores da tourada, esclarecido e adulto, e não um mero atirar de "bocas", que só estraga a convivência; que se pense no direito dos animais, mas de um modo integrado; e que se mantenha viva a individualidade cultural regional. É isto o que defendo.
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ruichi
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« Responder #6 em: 19 de Agosto de 2013, 15:08 »


Qualquer sofrimento aplicado a um animal sem que o objectivo imediato seja a alimentação é pura barbárie. Tendo eu crescido em regiões do país onde a festa taurina é vista com respeito, entendo o apelo do ritual antigo de masculinidade, pois é disso que se trata no fundo. O controlo sobre a natureza. Cabe-nos a nós mostrar que não se é menos ou mais homem consoante o domínio bélico que se exerce, desnecessariamente, sobre as "bestas". A isto se chama progresso.

O argumento mais defendido pelas pessoas anti-tourada - a crueldade "gratuita" exercida sobre os animais - empalidece quando a maior parte dessas pessoas não hesita em comer um bom bife, ou umas boas febras de porco, sem pensar que os animais criados industrialmente e mortos em matadouros sofrerão (partindo do princípio, por alguns também discutido, que sofrerão) provavelmente mais durante toda a sua vida e na sua morte do que os touros de lide.



Acho que a maior parte dessas pessoas "anti-tourada", não são de facto "anti-tourada" mas "anti-crueldade para com os animais." Mesmo ao comerem um bom bife, também reclamam contra a crueldade que os animais criados industrialmente estão sujeitos. E são dos mais envolvidos em campanhas para a alteração da situação.

Defendo um compromisso: defendo que haja uma renovação da festa brava; que se privilegie o toureio anti-crueldade (as pegas, a utilização de ferros não invasivos, a eliminação do toureio de morte) em detrimento do toureio tradicional;


Também já pensei nisso, mas sinceramente, acho que isso não pega. O fascínio da coisa vem do sangue e do belicismo. Por muito que custe à maioria admiti-lo.
« Última modificação: 19 de Agosto de 2013, 15:22 por ruichi » Registado
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« Responder #7 em: 19 de Agosto de 2013, 17:49 »


Gostava de perceber de onde é que vem essa mania irritante que as pessoas têm de achar sempre que, se há duas opiniões contrárias sobre um determinado assunto, isso significa automaticamente que ambas têm razão e que o correcto está algures no meio.

É perfeitamente possível alguém estar completa e absolutamente errado. Quem dispute a ideia de que espetar uma faca afiada num animal vivo e consciente é um acto de sadismo inaceitável não merece qualquer tipo de respeito, tolerância ou "compromisso". Ponto final.
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« Responder #8 em: 19 de Agosto de 2013, 19:41 »


Gostava de perceber de onde é que vem essa mania irritante que as pessoas têm de achar sempre que, se há duas opiniões contrárias sobre um determinado assunto, isso significa automaticamente que ambas têm razão e que o correcto está algures no meio.

É perfeitamente possível alguém estar completa e absolutamente errado. Quem dispute a ideia de que espetar uma faca afiada num animal vivo e consciente é um acto de sadismo inaceitável não merece qualquer tipo de respeito, tolerância ou "compromisso". Ponto final.


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« Responder #9 em: 19 de Agosto de 2013, 20:44 »


Gostava de perceber de onde é que vem essa mania irritante que as pessoas têm de achar sempre que, se há duas opiniões contrárias sobre um determinado assunto, isso significa automaticamente que ambas têm razão e que o correcto está algures no meio.



Aplicado à politica então, dá-me arrepios.
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António Chagas
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« Responder #10 em: 19 de Agosto de 2013, 21:21 »


Gostava de perceber de onde é que vem essa mania irritante que as pessoas têm de achar sempre que, se há duas opiniões contrárias sobre um determinado assunto, isso significa automaticamente que ambas têm razão e que o correcto está algures no meio.


Essa "mania irritante" - ou "compromisso" - é o que faz avançar o mundo sem revoluções. Claro que a revolução também faz avançar o mundo, à custa de substituir violentamente um paradigma por outro. Mas a negociação, a proposição, o diálogo, estão um patamar acima da imposição pura e simples.

Até porque não se parte do princípio que ambas as opiniões estão correctas ou têm razão! Se uma delas estivesse correcta, então impor-se-ia naturalmente como a solução. E incluindo também outro comentário: sim, a política funciona precisamente do mesmo modo. Pelo menos, nos sistemas em que é possível discutir. Se vivermos em ditadura, não é preciso discutir.

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« Responder #11 em: 19 de Agosto de 2013, 22:47 »


Essa "mania irritante" - ou "compromisso" - é o que faz avançar o mundo sem revoluções.


Sim. Se um diz que 2 + 2 são 4 e o outro diz que 2 + 2 são 6, podem chegar a acordo e concluir que 2 + 2 são 5. Como eu disse antes, é perfeitamente possível alguém estar completa e absolutamente errado.
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Benjamin Franklin
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« Responder #12 em: 19 de Agosto de 2013, 23:23 »


Sim. Se um diz que 2 + 2 são 4 e o outro diz que 2 + 2 são 6, podem chegar a acordo e concluir que 2 + 2 são 5. Como eu disse antes, é perfeitamente possível alguém estar completa e absolutamente errado.

É possível, mas geralmente pouco provável - sobretudo em temas mais complexos do que 2+2.
Há que notar que mesmo o resultado de 2+2 pode ter diferentes resultados simbólicos consoante a base em que estivermos a trabalhar. Se calhar quando um diz 10 e o outro 4 estão a falar do mesmo valor, mas um pensa em base 4 e outro em decimal.

O problema de assumir simplesmente que alguém está errado é que deixa de haver uma discussão para haver dois monólogos. Há uma tendência muito forte para achar que quem está errado é o outro e não nós, o que leva a um entricheiramento de cada um nas suas posições. As pessoas não tentam perceber a posição do outro para contra-argumentar eficazmente e limitam-se a gritar os mesmos argumentos, deixando de ser argumentantes para se tornarem em adversários.

Este cenário é prejudicial para todos - mesmo que haja alguém que tenha claramente razão - uma vez que deixa de haver capacidade de explicar o erro por parte de quem tem razão, e de aceitar a verdade (que agora é uma derrota) por parte de quem está errado.
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« Responder #13 em: 20 de Agosto de 2013, 08:22 »


O problema de assumir simplesmente que alguém está errado é que deixa de haver uma discussão para haver dois monólogos. Há uma tendência muito forte para achar que quem está errado é o outro e não nós, o que leva a um entricheiramento de cada um nas suas posições. As pessoas não tentam perceber a posição do outro para contra-argumentar eficazmente e limitam-se a gritar os mesmos argumentos, deixando de ser argumentantes para se tornarem em adversários.

Este cenário é prejudicial para todos - mesmo que haja alguém que tenha claramente razão - uma vez que deixa de haver capacidade de explicar o erro por parte de quem tem razão, e de aceitar a verdade (que agora é uma derrota) por parte de quem está errado.



Exacto, mb. É precisamente isso que acontece quando se discute com a emoção e se deixa a razão a descansar. Atenção, que isto não é baixar os braços e desistir; é precisamente o contrário! é procurar, por todos os meios, uma saída. E também não estou a dizer que nos tornemos máquinas sem emoção, porque muitas vezes o "certo" e o "errado" são também fruto de uma análise e tomada de consciência em que a emoção tem muito a ver.
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« Responder #14 em: 20 de Agosto de 2013, 18:02 »


Olá aqf, António e mb!

Gostava de saber a vossa opinião, e fundamentada, porque não é nenhum poll. Depois exponho a minha


O mais contra possível a essa barbárie.
Fundamento: coexistimos no planeta com outros animais; é tempo de deixarmos de pensar que temos mais direito do que eles a viver, ou que os animais não humanos podem sofrer para nosso belo prazer.

PAN
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