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Autor Tópico: A Mente Zen  (Lida 3959 vezes)
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HS
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« em: 04 de Junho de 2013, 19:39 »


Escritos de um Mestre

Um jovem médico em Tóquio chamado Kusuda encontrou um amigo da faculdade que tinha estudado zen. O jovem médico perguntou-lhe o que era o zen.
– Eu não te posso dizer o que é – respondeu o amigo, –mas uma coisa é certa: se tu compreenderes o zen, não terás medo de morrer.
– Está certo – disse Kusuda. – Vou tentar. Onde é que posso encontrar um instrutor?
– Vai ter com o mestre Nan-In” – disse-lhe o amigo.
Assim, Kusuda foi visitar Nan-In. Levou com ele uma adaga de 25 centímetros de comprimento para determinar se o próprio instrutor tinha ou não medo de morrer.
Quando Nan-In viu Kusuda exclamou:
– Olá, amigo. Como estás? Não nos vemos há muito tempo!
Perplexo, Kusuda respondeu:
– Mas nós nunca nos encontramos.
– Correcto – respondeu Nan-In. – Pensei que fosses um outro médico que está a receber instrução aqui.
Com um tal começo, Kusuda perdeu a sua oportunidade de testar o mestre, e então perguntou com relutância se poderia receber instrução sobre o zen.
Nan-In disse:
– O zen não é uma tarefa difícil. Se tu fores médico, trata os teus pacientes com amabilidade. Isso é o zen.
Kusuda visitou Nan-In três vezes. De todas as vezes, Nan-In dizia-lhe a mesma coisa:
– Um médico não deveria perder o seu tempo aqui. Vai para casa e toma conta dos teus pacientes.
Kusuda não entendia como é que um tal ensinamento poderia remover o medo da morte. Assim, na sua quarta visita desabafou:
– O meu amigo disse-me que, quando se aprende zen, perde-se o medo da morte. Sempre que aqui venho, tudo o que me diz é para que tome conta dos meus pacientes. Isso já eu sei. Se isso é o dito zen, eu não venho cá mais visitá-lo.
Nan-In sorriu e deu uma palmada nas costas do médico.
– Tenho sido muito rigoroso contigo. Deixa-me dar-te um koan.
Então, Nan-In deu a Kusuda o Um de Joshu para ele reflectir, que é nada mais do que o primeiro problema para a iluminação da mente, contido no livro O Portal Sem Portões.
Kusuda reflectiu sobre esse problema do Um (“a não-coisa”) durante dois anos. No fim desse período pensou ter alcançado a certeza mental. Porém, o seu instrutor comentou:
– Tu não a alcançaste ainda.
Kusuda continuou em concentração durante mais um ano e meio. A sua mente tornou-se plácida. Os problemas dissolveram-se. A Não-Coisa tornou-se a verdade. Ele atendia bem os seus pacientes e, sem sequer saber, estava liberto da preocupação sobre a vida e a morte.
Então, quando visitou Nan-In, o seu velho instrutor apenas sorriu.

in "A Mente Zen - Escritos de um Mestre Zen a um Mestre de Espada e Outras Estórias, Takuan Soho  Rola os olhos
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