Bom, não quero com isto ofender a autora desse texto, mas creio que o que está escrito é bastante indiferente e mesmo uma visão um bocado enviesada do que é um ser humano.
Embora isto seja muito propagado, sobretudo entre pessoas com formação em Humanidades, o ser humano não se tornou independente de tudo o resto. Teve uma História Biológica muito própria e isto reflecte-se contínua e perpetuamente.
Não temos "poucos imperativos naturais". Para perceber isto, facilmente se pode passar de exemplos simples e óbvios como a forma como a nossa vida é guiada pela nossa alimentação (o que faz de muitos de nós obesos, prova que não superamos a nossa natureza) e a vontade de procriar ou o desejo sexual, que também condiciona bastante o nosso quotidiano. Destes exemplos básicos se poderá fazer um exercício lógico muito pouco exigente e perceber que existem outras influências subtis que nos conduzem a agir de formas que por vezes não vemos logo, mas que sem dúvida têm origem nos condicionamentos que vamos captando ao longo das nossas vidas...
Outra coisa é a quesão de "nos conhecermos a nós próprios" e do "verdadeiro eu". Não há "verdadeiro eu". Se tivéssemos de passar forçosamente muito do nosso tempo juntos e eu te batesse todos os dias, o teu "verdadeiro eu" não seria o de alguém oprimido e medroso, apenas responderias dessa forma ao tratamento que eu te daria. Por isso gostamos de estar mais com certas pessoas do que com outras. As experiências que vivemos anteriormente permitiram-nos ir tendo reforços positivos que fomos associando a essas pessoas, e como tal, "sentimo-nos melhor" na companhia delas. Como sabemos "como é" sentirmo-nos de certa forma a que associamos sensações positivas, então vamos aproximarmo-nos mais de quem no-las pode providenciar. É relativamente simples. Não há um "eu" fixo. Há a nossa resposta enquanto organismo a um mundo em constante mudança, com o qual "aprendemos" e do qual "captamos" muito do que retemos conscientemente.
Espero ter sido claro nos motivos pelos quais não partilho propriamente a visão expressa no texto que partilhaste. De qualquer forma, obrigado por o teres feito.