É fácil confundi-la com empatia. Parecem quase uma e a mesma coisa. No entanto, compaixão envolve não só a capacidade de entender o estado de outro, como também o de actuar no sentido de ajudá-lo. Não falo na “caridadezinha”, escudada por uma qualquer
religião, nem no ajudar porque fica bem aos olhos dos outros. Falo, sim, no ajudar porque é preciso, porque se estivesse naquela situação com certeza quereria que alguém me ajudasse. E sim, pode parecer egoísta, mas falo também daquele
sentimento que nos assiste na prática do acto: o de estar bem connosco e com o que nos rodeia.
Representa o florescer último do amor. É preciso sermos capazes de nos aceitar a nós próprios, plenamente e como somos, antes de ajudar os outros. Estarmos conscientes de nós próprios e das nossas emoções. Perceber porque é que elas lá estão e porque é que acontecem. Só assim a compaixão se torna ajuda, alicerçada na aceitação dos outros como são. Só assim se conseguirá construir uma verdadeira
comunidade global.
De facto, parece que cada vez mais navegamos numa sociedade fria, apática e calculista. O Eu é colocado em primeiro lugar, sem olhar a consequências. Há uma grande massa amorfa que apenas parece ser catalisada para uma atitude, a violência e uma única emoção, o ódio. Contra pessoas, contra objectos, contra sociedades, contra emoções, contra tudo e contra todos. Tantas fontes de ódio, e conseguimos arranjar mais diariamente. E acumula-se. E explode. Frequentemente, em guerras e conflitos que não tem razão de ser. É urgente mudar. Ou
então... Faz falta calor, faz falta importar-se, faz falta incomodar-se.
Faz falta: compaixão. Onde está?
compaixãos. f.1. Sentimento benévolo que nos inspira a infelicidade ou o mal alheio.
2. Dó; lástima; piedade