Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos.
1Somos entidades voláteis que nunca estão satisfeitas com o que têm. A vontade de querer mais e melhor, ou diferente, fez-nos o que somos hoje. Não fora assim, e ainda estaríamos empoleirados em árvores sem outras preocupações senão as de comer e procriar.
Se tem o seu aspecto francamente positivo, por outro lado, continuamos a agir como crianças às quais se dá o brinquedo por que tanto ansiavam apenas para que no instante seguinte a nossa atenção já esteja cativada por algo mais novo, brilhante e barulhento.
Quantas vezes nos são oferecidos momentos de raro
êxtase que deixamos passar sem aproveitar? Quantas vezes nos arrependemos e amargamos as escolhas feitas, sabendo que, na mesma situação, voltaríamos a escolher o mesmo?
Se eu pudesse... se eu quisesse... se eu conseguisse...
É bom ter expectativas, sonhar com algo de melhor, desejar. Mas não podemos esquecer o que temos e que pode desaparecer em fracções de segundo: o beijo demorado, aquele momento só para nós, um dia perfeito,
o vento nos cabelos,
o riso de uma criança, o gosto da fruta fresca, o
passear numa floresta e sentir aquela ligação ao que de mais primário existe em nós e nos liga ao mundo. Quem nós amamos. A existência é uma experiência tão fugaz.
Cantar até não ter voz, dançar até à exaustão, rir até não conseguir respirar e sentir as lágrimas correrem pela face.
Sobretudo, escutar o eu interior. Se alguém me ensinar como é possível...
contentamentos. m.1. Estado de quem está contente.
2. Satisfação.
1A expressão não é minha, e se se fizer uma procura na Internet, será atribuída a Shakespeare. Não sei se lhe pertence ou não, não encontro o equivalente em Inglês.