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Autor Tópico: Acordo ortográfico  (Lida 3937 vezes)
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coquel
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« em: 15 de Abril de 2008, 00:47 »


Boa noite a todos,

Depois de acompanhar o debate de hoje,  mudaram a vossa opinião em relação aquela que tinham antes do debate?
« Última modificação: 15 de Abril de 2008, 12:49 por coquel » Registado

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bobbyboy
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« Responder #1 em: 15 de Abril de 2008, 12:11 »


Nunca achei que uma língua fosse uma coisa estática. A evolução da fala e da escrita* ao longo dos séculos é uma coisa natural. Mas isso deve ocorrer na população: à medida que as pessoas vão mudando o modo de falar e escrever as gramáticas devem reflectir isso (a inclusão de termos como o bué e companhia nos dicionários recentes reflecte isso mesmo).

Mas sou e sempre serei contra os caprichos dum grupo de intelectualoides que querem obrigar a população (os verdadeiros donos do idioma) a alterar a sua língua arbitrariamente apenas e só por interesses económicos, sem sequer lhes pedir opinião. A nossa língua não é uma empresa cotada na bolsa! Lixado com "F" grande

*não confundir "evolução da fala e da escrita" com as aberrações que aparecem nos chats.
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ut praesset noctis


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« Responder #2 em: 15 de Abril de 2008, 16:46 »


não confundir "evolução da fala e da escrita" com as aberrações que aparecem nos chats.


E PORQUE NÃO?!?!?!
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chaos ab ordo, ordo ad chaos


« Responder #3 em: 19 de Abril de 2008, 09:08 »


Não vou comentar, para além disto.
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« Responder #4 em: 19 de Abril de 2008, 17:36 »


Não vou comentar, para além disto.


Obrigado  Sorri
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« Responder #5 em: 21 de Abril de 2008, 15:05 »


Ou seja... Omnipotente passa a ser Onipotente... Omni passa a Oni e assim por diante...

Omni tens que corrigir o Nick  Mr. Grin

Bem, pelo menos podemos facultativamente escrever algumas palavras como deve ser... quem escreve mal pode ser "anistiado"...

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« Responder #6 em: 21 de Abril de 2008, 17:07 »


A Lusofonia é uma miragem. Não há acordo ortográfico que valha na aproximação das, ou às, línguas derivadas do português. Ler um livro em brasileiro por cá, ou em português por lá, é um exercício doloroso, e não é devido às pequenas diferenças ortográficas. A cissão real já se deu, e não há modo de meter o tempo a andar para trás. Mas como é tipicamente nacional, corremos todos atrás de fantasmas e ilusões, para esconder a incapacidade de resolver as coisas reais.
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José Herculano

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« Responder #7 em: 21 de Abril de 2008, 23:05 »


Ler um livro em brasileiro por cá, ou em português por lá, é um exercício doloroso, e não é devido às pequenas diferenças ortográficas.


Totalmente em desacordo!
Adoro Jorge Amado por exemplo e sei que os brasileiros adoram Eça por exemplo.
Prazeres nada dolorosos para qualquer dos lados.

Os ingleses não fizeram nenhum acordo e bem que estão a precisar disso!
A ciência britanica aparece menos em motores de busca (e consequentemente perde pontos) porque todo o mundo usa os termos em americano.
Tumor e não Tumour, Hematology e não Haematology e por aí fora.

É importante haver um acordo da grafia.
Não é importante, será até impossivel, haver um acordo do sotaque.

Talvez mais valha um mau acordo que acordo nenhum.
Mas devemos lutar por um acordo sem duvida.

O que está em cima da mesa não me parece bem apenas na questão das consoantes não mudas em Portugal, que precisamente por se lerem não devem desaparecer.
Nós dizemos contaketo e não contato.
Tirar o p do baptismo ou do optimo não me choca nada.
Se é para acentuar a vogal, pois que se use um acento.
Ou não se use nada e se deixe o falar natural acentuar regionalmente.
Já hoje em Lisboa se diz glicemía e para cá diz-se glicémia e não vem mal ao mundo por isso.

Deixar que se ensine nas escolas portuguesas e brasileiras um português escrito diferente é que eu acho que não pode ser.

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« Responder #8 em: 21 de Abril de 2008, 23:13 »


Eu não sei quando é que o Acordo vai entrar em vigor...
...mas sei que vou passar a escrever com muitos erros de ortografia quando isso acontecer ! Mr. Grin Fixe
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« Responder #9 em: 22 de Abril de 2008, 11:37 »


Totalmente em desacordo!
Adoro Jorge Amado por exemplo e sei que os brasileiros adoram Eça por exemplo.
Prazeres nada dolorosos para qualquer dos lados.

Os ingleses não fizeram nenhum acordo e bem que estão a precisar disso!
A ciência britanica aparece menos em motores de busca (e consequentemente perde pontos) porque todo o mundo usa os termos em americano.
Tumor e não Tumour, Hematology e não Haematology e por aí fora.


Fulano, essas não passam!

Quando falamos de literatura - Jorge Amado, Paulo Coelho, Eça - estamos a falar de um campo em que o linguajar, e até mesmo as diferenças gramaticais, são facilmente superáveis e até dão cor à coisa. Por exemplo, quem tenha uma queda mais intelectual não vai ler o Don Quixote em tradução Portuguesa, mas sim na língua de Cervantes, como eu sei de espanhóis que leram os Lusíadas em português! O prazer que me dá ler Cervantes em castelhano não implica que eu não me importe de ler o Público ou a Visão em castelhano. Uma coisa é um prazer intelectual no ócio, outra é a utilização do dia-a-dia, profissional e outra.

Conheço inúmeros casos no ensino universitário em que os alunos, tendo de optar por uma tradução não-portuguesa de algumas obras fundamentais, optaram sempre pela versão espanhola versus a brasileira! A gramática, cadência e até mesmo por vezes o vocabulário são mais aproximados.

Numa análise linguística estrita, removidos os "sotaques", o português de rua está mais próximo do castelhano de rua do que do brasileiro.

Um exemplo ligeiro, tirado de um manual oficial da Microsoft:

"Novo no Office Excel 2007, o Excel Services é uma nova versão, baseada no servidor, do Excel otimizado para gerenciar, consumir e compartilhar planilhas. O Excel Services tira vantagem da força do Microsoft Office SharePoint Server 2007 para proporcionar novas oportunidades para a utilização do Excel para soluções de negócios. O Excel Services oferece uma estreita integração com o Office SharePoint Server 2007, dando a você uma maior flexibilidade e controle para o gerenciamento e compartilhamento de arquivos. Outros aperfeiçoamentos incluem:"

Vai à Faculdade de Letras e pede para te dizerem quais os erros gramaticais aí incluídos. A Gramática Portuguesa não é aplicada no brasileiro corrente, aliás, não há uma Gramática Brasileira que se aplique ao brasileiro corrente. É uma língua numa fase dinâmica de evolução que já não é - estritamente - português.

Passemos ao Inglês. Quanto a "sotaques": o Americano de Harvard está mais perto do Inglês de Oxford do que este de, por exemplo, o inglês de rua do Essex, ou o cockney londrino.

Quanto à gramática: é essencialmente a mesma.

Quanto à ortografia: única diferença está no dobrar das consoantes, e nessas terminações em "o" ao invés de "ou" (color/colour); ninguém dá por elas, e os motores de busca já começam a compensar automaticamente para as diferenças. A prova real da coisa está aqui:

Vai à FNAC comprar um livro em Inglês. Existe separação entre as obras publicadas nos EUA ou no UK? Quando estás a procurar o livro, ou a manuseá-lo, estás atento a esse facto? Reparas sequer? É relevante?

Agora passa à literatura traduzida para português. Onde está a edição brasileira? Está junto à portuguesa? Está sequer?

Há restrições à importação de livros brasileiros? São mais caros? A FNAC está a boicotar? - Não! A FNAC é um negócio - não tem porque não vende.

A minha esposa gosta do Stephen King (eu também). Ao contrário de mim, ela não lê livros em inglês. A obra do King editada em Portugal é escassa, e de critérios estranhos. Aquelas que são consideradas universalmente as suas melhores obras, não estão cá editadas. Surpresa... existem algumas em brasileiro. Podem-se encomendar facilmente via net... mas ela não quer... porque a experiência de leitura não foi prazenteira.

No entanto, apesar de todos estes dados concretos tirados do mercado real, o governo acha que consegue uma edição lusófona unificada e vibrante através de um acordo ortográfico! Havemos de ter uma ortografia rigorosamente igual, e na prática a edição vai continuar rigorosamente na mesma situação.

A Lusofonia um dia poderá ter sido um sonho. Por parolice o barco partiu sem ninguém a bordo. Hoje em dia é um pesadelo. Metam uma estaca no peito dessa caça aos gambozinos de uma vez por todas.


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José Herculano

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« Responder #10 em: 22 de Abril de 2008, 15:10 »


Grande misturada de interesses editoriais e principios!
Para já não falar no incluir do parolo paulo coelho no meio de Eça e Jorge Amado!  Lixado com "F" grande

Desde a minha tenra infância que me lembro de ver na primeira página de muitos livros a expressão:
-- Venda interdita na Republica Federativa dos Estados Unidos do Brasil --
nunca entendi porquê...
Para não estragar a pureza do linguajar brasileiro não era de certeza!

Quanto ás traduções a maior parte serem de má qualidade deve-se ao corte nos custos de produção, por parolice dos editores.
Mesmo cá há editoras que traduzem a custo zero fazendo "testes de admissão" para tradutores em que dão a cada candidato uma duzia de páginas.
Aproveitam o trabalho empenhado de quem está desesperado por um emprego, não contratam ninguem e ficam com a obra traduzida gratuitamente aos bochechos por dezenas de patos.

O mercado editorial unico lusofono compensaria as boas empresas que pagam a bons tradutores.
É por isso que continuo convencido que é fundamental um acordo para a escrita.
E obviamente um acordo comercial de mercado editorial livre no espaço lusófono!

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« Responder #11 em: 22 de Abril de 2008, 18:26 »


Quanto ás traduções a maior parte serem de má qualidade deve-se ao corte nos custos de produção, por parolice dos editores.


Em relação ao texto que meti acima, não se trata de má tradução, eles falam mesmo assim... and that's the whole point: o inglês de inglaterra, o inglês americano, o "world english" são intercambiáveis, o português e o brasileiro, já não! Não é que um seja melhor do que o outro, são é já duas línguas distintas.

Por piada, vê um filme engraçado, espanhol, mas em que o actor principal é o Vigo Mortensen: Alatriste. Tiveram a coragem de o filmar não em castellano actual, mas em castellano da época (início o Século XVII). É muito educativo.

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« Responder #12 em: 22 de Abril de 2008, 22:39 »


Queria só dizer que, nos meus tempos de Faculdade, jamais consegui estudar por uma tradução brasileira (e havia-as). Desde a construção das frases, às adaptações de termos ingleses quase "letra a letra" (proton era protón, electron era electrón, scattering era traduzido por espalhamento, mas qual dispersão...Isto, enfim, só para dar alguns exemplos). Sempre preferi ler os livros de texto no original (Inglês ou Francês), por muito que isso me obrigasse a usar dicionários. O hábito do estudo de livros científicos na língua original ficou.

Estudar por uma edição brasileira era simplesmente horrível. 'Tou enjoado

Agora, ler Jorge Amado ou outros já não é !
Concordo em absoluto com o Zé Herculano !
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« Responder #13 em: 24 de Abril de 2008, 12:32 »


and that's the whole point: o inglês de inglaterra, o inglês americano, o "world english" são intercambiáveis, o português e o brasileiro, já não! Não é que um seja melhor do que o outro, são é já duas línguas distintas.


Concordo. E até acho que não é só isso. Arrisco-me mesmo a generalizar, dizendo que o Brazil e a sua cultura nada têm a ver com Portugal e a sua cultura! Somos tão distintos. Porque não deixar os dois países seguir o seu próprio rumo? Vá, somos muito amigos e fazemos festas com samba de vez em quando. Mas porquê que há-de haver mais que isso? As coisas devem acontecer, sobretudo, naturalmente. É nisso que nos temos de focar, na minha opinião.

Não só prefiro o Inglês ao "Brasileirês" na escrita como em certas dobragens e legendagens.
E, como eu, conheço muitas pessoas.

A solução é pôr a hipocrisia de lado e "deixarmo-nos ir".
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« Responder #14 em: 08 de Maio de 2008, 18:39 »


http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/
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