Totalmente em desacordo!
Adoro Jorge Amado por exemplo e sei que os brasileiros adoram Eça por exemplo.
Prazeres nada dolorosos para qualquer dos lados.
Os ingleses não fizeram nenhum acordo e bem que estão a precisar disso!
A ciência britanica aparece menos em motores de busca (e consequentemente perde pontos) porque todo o mundo usa os termos em americano.
Tumor e não Tumour, Hematology e não Haematology e por aí fora.
Fulano, essas não passam!
Quando falamos de literatura - Jorge Amado, Paulo Coelho, Eça - estamos a falar de um campo em que o linguajar, e até mesmo as diferenças gramaticais, são facilmente superáveis e até dão cor à coisa. Por exemplo, quem tenha uma queda mais intelectual não vai ler o Don Quixote em tradução Portuguesa, mas sim na língua de Cervantes, como eu sei de espanhóis que leram os Lusíadas em português! O prazer que me dá ler Cervantes em castelhano não implica que eu não me importe de ler o Público ou a Visão em castelhano. Uma coisa é um prazer intelectual no ócio, outra é a utilização do dia-a-dia, profissional e outra.
Conheço inúmeros casos no ensino universitário em que os alunos, tendo de optar por uma tradução não-portuguesa de algumas obras fundamentais, optaram sempre pela versão espanhola versus a brasileira! A gramática, cadência e até mesmo por vezes o vocabulário são mais aproximados.
Numa análise linguística estrita, removidos os "sotaques", o português de rua está mais próximo do castelhano de rua do que do brasileiro.
Um exemplo ligeiro, tirado de um manual oficial da Microsoft:
"Novo no Office Excel 2007, o Excel Services é uma nova versão, baseada no servidor, do Excel otimizado para gerenciar, consumir e compartilhar planilhas. O Excel Services tira vantagem da força do Microsoft Office SharePoint Server 2007 para proporcionar novas oportunidades para a utilização do Excel para soluções de negócios. O Excel Services oferece uma estreita integração com o Office SharePoint Server 2007, dando a você uma maior flexibilidade e controle para o gerenciamento e compartilhamento de arquivos. Outros aperfeiçoamentos incluem:"
Vai à Faculdade de Letras e pede para te dizerem quais os erros gramaticais aí incluídos. A Gramática Portuguesa não é aplicada no brasileiro corrente, aliás, não há uma Gramática Brasileira que se aplique ao brasileiro corrente. É uma língua numa fase dinâmica de evolução que já não é - estritamente - português.
Passemos ao Inglês. Quanto a "sotaques": o Americano de Harvard está mais perto do Inglês de Oxford do que este de, por exemplo, o inglês de rua do Essex, ou o cockney londrino.
Quanto à gramática: é essencialmente a mesma.
Quanto à ortografia: única diferença está no dobrar das consoantes, e nessas terminações em "o" ao invés de "ou" (color/colour); ninguém dá por elas, e os motores de busca já começam a compensar automaticamente para as diferenças. A prova real da coisa está aqui:
Vai à FNAC comprar um livro em Inglês. Existe separação entre as obras publicadas nos EUA ou no UK? Quando estás a procurar o livro, ou a manuseá-lo, estás atento a esse facto? Reparas sequer? É relevante?
Agora passa à literatura traduzida para português. Onde está a edição brasileira? Está junto à portuguesa?
Está sequer?
Há restrições à importação de livros brasileiros? São mais caros? A FNAC está a boicotar? - Não! A FNAC é um negócio - não tem porque não vende.
A minha esposa gosta do Stephen King (eu também). Ao contrário de mim, ela não lê livros em inglês. A obra do King editada em Portugal é escassa, e de critérios estranhos. Aquelas que são consideradas universalmente as suas melhores obras, não estão cá editadas. Surpresa... existem algumas em brasileiro. Podem-se encomendar facilmente via net... mas ela não quer... porque a experiência de leitura
não foi prazenteira.
No entanto, apesar de todos estes dados concretos tirados do mercado real, o governo acha que consegue uma edição lusófona unificada e vibrante através de um acordo ortográfico! Havemos de ter uma ortografia rigorosamente igual, e na prática a edição vai continuar rigorosamente na mesma situação.
A Lusofonia um dia poderá ter sido um sonho. Por parolice o barco partiu sem ninguém a bordo. Hoje em dia é um pesadelo. Metam uma estaca no peito dessa caça aos gambozinos de uma vez por todas.