Já agora, o que querias dizer com "E já descobri os bombons"?
P.S. Cuidado que, por aqui, à vista da amostra, pululam D. Juans
"Onde raio escondi os bombons e as orquídeas, ora, ora, aqui estão..."
Era uma mera invectiva acerca da minha brincadeirinha inicial, que, como se pôde constatar, alcançou os efeitos pretendidos...ou não!
Levemente, a dicotimia razão/emoção tão amplamente mencionadas na bibliografia ocidental, em que são muitas vezes apresentadas enquanto duas faces opostas, visceralmente antagónicas, não apresenta, e esta é afinal a principal tese dos livros do António Damásio, razão de ser.
Na verdade a Razão desprovida da emoção é totalmente inoperante e, como tal, desprovida de propósito.
Apresenta então Damásio um caso de um doente seu, que em virtude de uma lesão numa certa área neurológica, controladora do centro emocional (salvo erro, a amígdala) e apesar de manter a sua capacidade cognitiva de raciocínio intacta, apresenta graves problemáticas comportamentais.
Dessa maneira, tal indivíduo quando presente a qualquer situação, analisa-a o mais analiticamente possível. Sendo necessáriamente tal análise igulamente fria e desprovida de carácter emocional.
Assim, não só não revela qualquer emoção perante o seu próprio caso dramático, com as angústias dos familiares e (isto considero o mais interessante) o facto de encarar qualquer situação de uma forma neutral, faz com que seja incapaz de tomar a mais simples decisão.
Tal como simplesmente marcar a hora da próxima consulta. A verdade é que ele consegue, para qualquer hora, dicernir argumentos a favor ou contra, não percepcionando qualquer emoção pessoal de agrado ou repulsa, de como se sente em relação a qualquer hora.
Desprovir um determinado sentimento em relação a algo da sua própria facção "emocional" e preservar somente o seu lado "racional" é descaracterizador do próprio processo cognitivo, intelectual e, contrariamente à acepção primária, cristalizador.
Pessoalmente, não sei até que ponto o condicionamento pavloviano requere uma posição activa por parte do sujeito.
Afinal, os cãezinhos salivavam não porque o desejassem, mas simplesmente porque a situação propiciava a tal.
Veja-se que há condicionamentos que, por mais propósito racional e desejo consciente que se tenha, simplesmente ocorrem.
Estou-me a lembrar do rubor.
E eu sei do que falo, dado que coro constantemente, em situações emocionalmente umm pouco mais vivas.
Não queiras saber do quanto eu gostava de não corar nessas situações!
Mas, bolas, pura e simplemente sucede e, bem, o que é que eu faço? Balbuceio umas quantas alarvidades a tentar desviar atenções, o que só pioram o caso!
E é logo nas situações em que à partida precisava demonstrar uma maior segurança e domínio...
É por essas e por outras com um certo grau de alcoolemia são libertadores!
Em apresentações orais de trabalhos é que não dá muito jeito!
Nunca fui a tais coisas!
Não me avisam!!!
As coisas que se passam nas minhas costas... O que mais, mas o que mais?! Nem imagino...
Mas, bem, combinamos e vamos a uma próxima!
Que tal?
Um beijo!